O Valor da Roupa em Segunda Mão

A maioria dos moçambicanos (80%) recorre ao mercado de roupas usadas para se vestir: o País é o segundo maior importador da Comunidade de Desenvolvimento da África Sul (SADC), depois da Tanzânia. Cada peça tem um significado importante para o rendimento de milhares de famílias, mas é também um problema para quem pensa em desenvolver a indústria têxtil sítio. Quanto vale o mercado da roupa em segunda mão em Moçambique?


Escrita Por: Administração | Publicado: 7 months ago | Vizualizações: 49 | Categoria: Economia, Finanças e Negócio.


No movimentado mercado de Xipamanine, em Maputo, Alzira e Fátima ajustam cuidadosamente as roupas nas suas bancas. “Vender roupa usada é a forma de sustento da minha família há mais de dez anos”, diz Alzira, enquanto organiza uma fileira de camisas coloridas. Fátima concorda: “Cá, cada venda é um passo para remunerar a escola dos meus filhos e prometer comida na mesa.”a d v e r t i s e m e n t Do outro lado das bancas, Francisco e Marta, dois consumidores, percorrem com atenção as pilhas de roupas. “Consigo vestir-me muito, gastando muito menos”, explica Francisco, exibindo um par de calças de ganga recém-adquirido. Marta acrescenta: “Ao preço das roupas novas nas lojas, eu não teria possibilidade de renovar o guarda-roupa.” As respostas reflectem a relevância do mercado de roupas em segunda mão, em Moçambique. O sector gera serviço, sustenta famílias e oferece entrada fácil a pronto-a-vestir. É secção importante da economia circunvalar, que começa noutros países (onde as peças são compradas novas), movida pelo trabalho de intermediários e comerciantes e pela procura regular de consumidores em procura de qualidade a preços acessíveis. Moçambique importou murado de 40 milénio toneladas de roupa usada em 2023 e é o segundo maior importador da Comunidade de Desenvolvimento da África Sul (SADC), depois da Tanzânia O preço mínimo das peças de roupa é de 10 meticais (murado de 16 cêntimos de dólar), aumentando conforme a qualidade, que é determinada por factores que incluem a semblante, estado de conservação, voga e funcionalidade. Peso da roupa usada na economia O dados oficiais estimam que as roupas usadas tenham contribuído com 11 milhões de dólares para o Resultado Interno Bruto (PIB) de Moçambique, em 2023. É um valor pouco significativo, murado de 0,5% do totalidade de murado de 22 milénio milhões de dólares que compõem o PIB. Ainda assim, é uma operosidade mercantil com influência no rendimento da população, aponta o estudo “The socio-economic impact of the second-hand clothing industry in Africa and the EU27+” (O impacto socioeconómico da indústria de vestuário em segunda mão em África e na UE27+), elaborado pela Oxford Economics e que foi encomendado pela organização não-governamental (ONG) Humana, associação sem fins lucrativos que promove a reutilização de têxtil desde 1998. O resultado coloca Moçambique entre os três maiores receptores africanos de roupa de segunda mão importada dos 27 países que integram o conjunto da União Europeia (UE), a par do Gana e do Quénia. Segundo levante estudo, em 2023, o País importou de várias partes do mundo murado de 15 milénio toneladas, avaliadas em 15,4 milhões de dólares. Aproximadamente um quinto da quantidade era proveniente dos 27 países da União Europeia. Mas os números divergem, consoante a manadeira. A UN Comtrade, um repositório de estatísticas de transacção internacional das Nações Unidas, apresenta valores ainda maiores, indicando que as importações da UE27+ (7,6 milhões de dólares, correspondente a 7600 toneladas) representam quase metade da roupa em segunda mão. As estimativas da Oxford Economics basearam-se nos dados fornecidos pela Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo (ADPP) Moçambique, uma organização que importa roupa usada e parceira da Humana. Um mercado ainda maior Ouvindo um interveniente no mercado, chegamos a valores ainda maiores. Fernando Hin Júnior, coordenador do Meio de Desenvolvimento Empresarial da Associação Mercantil da Ourela, entidade que trabalha com a ADPP, refere que Moçambique importou quase 40 000 toneladas de roupa usada em 2023. O valor é mais do duplo das estimativas da Oxford Economics e UN Conmtrade, porque inclui as doações feitas no contexto das acções humanitárias e outras regiões fornecedoras. Nascente sector gera serviço, sustenta famílias e oferece entrada fácil ao vestuário: é provável comprar uma peça a partir de 10 meticais São dados que fazem de Moçambique o segundo maior importador ao nível da região da Comunidade de Desenvolvimento da África Sul (SADC), a seguir à Tanzânia. “Quem vende, obviamente, ganha qualquer moeda para poder sustentar a sua família. Também é uma oportunidade para as famílias moçambicanas, porque a maior secção não tem condições para comprar roupa novidade”, disse, citado pela Lusa. Muro de 80% dos moçambicanos compram roupa usada, proveniente sobretudo da Europa, e o rendimento de um milhão de famílias depende deste mercado. O País absorve 1,7% das importações globais de roupa em segunda mão, disse, acreditando estarmos perante um mercado lucrativo, ao promover a economia circunvalar (reutilização de produtos), incorporando o reaproveitamento de peças descartáveis ou de muito baixa qualidade. A indústria sítio Moçambique já teve uma indústria têxtil e de vestuário promissora, mas que, por diversos motivos, faliu. Há quem associe a dificuldade em revitalizá-la com a ingressão de artigos em segunda mão – o vizinho Zimbabué, por exemplo, já aboliu a importação de roupa usada para incentivar a produção pátrio. Para a União Africana, “uma das razões da fraca industrialização ou revitalização da produção têxtil” no continente “é a facilidade de importação de artigos em segunda mão”. Mas a Oxford Economics entende que, no caso de Moçambique, a importação de roupas em segunda mão não é o principal problema para o desenvolvimento da indústria sítio. A consultora indica que as principais barreiras são outras, de raiz estrutural, tais porquê políticas económicas instáveis, falta de investimento público e privado no sector e exiguidade de modernização das infra-estruturas – além de um pretérito marcado pela guerra social (1976-1992). Devido à pobreza, o mercado das roupas usadas “continuaria a ser um importante fornecedor de vestuário, mesmo que as actividades locais de fabrico se expandissem”, UNESCO “As indústrias locais dependem frequentemente de tecidos importados e enfrentam a concorrência da voga rápida importada”, explicam os analistas da Oxford. “Embora o incremento das importações de artigos em segunda mão tenha feito aumentar a concorrência aos fabricantes locais de vestuário em Moçambique (tal porquê em toda a África), levante é exclusivamente um dos desafios que o sector enfrenta”. Paralelamente, devido à pobreza, o mercado das roupas usadas “continuaria a ser um importante fornecedor de vestuário, mesmo que as actividades locais de fabrico se expandissem”, acrescenta a Organização das Nações Unidas para a Instrução, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que cita profissionais de voga. Moçambique, hoje, não tem uma indústria têxtil e de vestuário e as mais recentes tentativas de revitalizá-la têm fracassado. Reutilizar até à exaustão A produção têxtil é uma das maiores responsáveis pela poluição da chuva e emissões de gases com efeito de estufa, globalmente. Esta é uma questão sátira em países porquê o Gana, onde o lixo têxtil é frequentemente descartado de maneira inadequada. No caso de Moçambique, segundo Hin Júnior, o problema não existe, porque há uma cultura de reaproveitamento da roupa em segunda mão. “Quando a roupa usada chega aos centros de triagem, só murado de 5% é de baixa qualidade”, que não dá para reutilizar, e mesmo essa percentagem é reciclada pelas indústrias locais de limpeza”. O resto volta a ser vendido e também pode ser transformado por alfaiates em mercados informais e ao ar livre. “Quando o consumidor já não precisa da roupa que comprou nestes mercados, passa-a para familiares e amigos. Há uma cultura de reaproveitamento. Resíduos, só os que resultam do trabalho dos alfaiates”, indicou. O Programa das Nações Unidas para o Meio Envolvente (PNUMA) estima que 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis sejam gerados anualmente em todo o mundo. Fonte: https://natxos.com/economia-e-financas/o-valor-da-roupa-em-segunda-mao-diario-economico/
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